Com o aumento das fronteiras agrícolas no mundo, do número de safras por ano, do melhoramento de plantas visando aumento de produtividade, da utilização da irrigação na produção de alimentos e outras técnicas que permitam uma intensificação da agricultura, os fitopatógenos estão se tornando cada vez mais comuns, mesmo naquelas culturas onde historicamente não representavam limitações econômicas. Esta nova realidade tem evidenciado o aumento na utilização de fungicidas, permitindo a competitividade da agricultura. O controle químico de doenças de plantas é, em muitos casos, a única medida eficiente e economicamente viável de garantir as altas produtividade e qualidade de produção. Variedades de plantas cultivadas, interessantes pelo bom desempenho agronômico e pela preferência dos consumidores, que são obtidas através de técnicas de melhoramento vegetal, geralmente herdam uma maior vulnerabilidade a agentes fitopatogênicos. A exploração comercial de culturas como a uva, o morango, a maçã, o tomate e a batata, seria impossível sem o emprego de fungicidas, pois onde são cultivadas o clima favorece a ocorrência da doença. Assim, a convivência com patógenos já presentes em determinadas áreas torna-se um ônus obrigatório dentro da agricultura moderna.
De modo geral os fungicidas podem ser agrupados em três grupos: erradicantes (fungicidas de contato), protetores (fungicidas de residuais) ou sistêmicos (fungicidas curativos/imunizantes).
Os fungicidas erradicantes atuam diretamente no patógeno, tendo como objetivo reduzir o inóculo. Esses fungicidas agem sobre o inóculo e são utilizados:
- em tratamento de sementes: inativando a germinação dos esporos nas sementes;
- em tratamento de inverno: esse tipo de tratamento pode ser utilizado tanto com fungicidas erradicantes como fungicidas protetores que possuam ação erradicante. Esse tipo de tratamento é muito comum em plantas que passam por uma estação sem folhas e assim os esporos e outras estruturas fúngicas ficam aderidos sobre o tronco, escamas e galhos das plantas. Esse tratamento de inverno visa abaixar a quantidade de inóculo, erradicando-os. Evita que quando comece a brotação jovem, a quantidade de inóculo esteja baixa.
- em tratamento de solo: geralmente é utilizado um gás biocida, porém pode ser utilizados produtos erradicantes seletivos.
Os fungicidas protetores atuam formando uma camada protetora na superfície da planta impedindo o contato do patógeno com a superfície da planta hospedeira. Esses fungicidas atuam como inibidores inespecíficos, interferindo as reações bioquímicas comprometendo assim os processos vitais do patógeno. Como esses fungicidas são inespecíficos seriam fitotóxicos caso sejam absorvidos pela planta. Essa fitotoxidez é evitada pela baixa solubilidade do fungicida em água e a dificuldade de serem absorvidos pela planta. A toxicidade do fungicida ao patógeno deve-se a liberação de moléculas tóxicas a partir das moléculas do fungicida.
Os fungicidas sistêmicos têm sua ação fungitóxica no interior dos tecidos do hospedeiro e podem ter ação imunizante, protetora, curativa e erradicante. Agem inibindo processos metabólicos específicos, conferindo dessa forma alta especificidade e alta fungitoxicidade. Esses fungicidas são absorvidos pelas raízes e folhas, porém a aplicação geralmente é feita na parte aérea. A translocação do produto pode ser via xilema (maioria dos fungicidas sistêmicos) ou floema (poucos fungicidas sistêmicos). Os fungicidas sistêmicos têm como vantagens:
- exigem menores doses e menor número de aplicação
- menor problema de fitotoxidez
- menor contaminação ambiental
Os fungicidas sistêmicos têm como vantagens:
- são fungicidas caros
- podem causar aparecimento de raças resistentes do patógeno.
O surgimento de raças resistentes é devida a pressão de seleção exercida pelo tratamento de grandes áreas com um único princípio ativo, emprego de super ou sub doses.
Para manejar os produtos e evitar o aparecimento de raças resistentes deve-se:
- usar sistêmicos somente quando for necessário,
- aplicação de sistêmicos alternadamente
- usar sistêmicos misturados com protetores
- monitoramento da população do patógeno no campo visando detectar raças resistentes
- monitoramento da população do patógeno no campo visando detectar raças resistentes
Nesta semana iniciamos as aulas práticas relacionadas à controle de doenças de plantas.
Nestas aulas, em especial, vimos sobre PREMUNIZAÇÃO E SOLARIZAÇÃO.
A PREMUNIZAÇÃO consiste na utilização de uma estirpe fraca do vírus para proteger a planta de uma estirpe forte. O exemplo mais evidente do uso desta forma de manejo encontra-se na citricultura brasileira, de forma a proteger plantas de citros da Tristeza do Citros (Citrus tristeza vírus).
Este fenômeno não é claramente conhecido pelos fitopatologistas, porém, acredita-se que a presença da estirpe fraca do vírus nas células do hospedeiro protege a planta da infecção pela estirpe forte. Assim, um pré-requisito é que a planta esteja colonizada pela estirpe fraca.
Já a SOLARIZAÇÃO encontra-se dentro das práticas de controle físico, já que o fator temperatura é utilizado neste caso.
Como explicitado em aula, algumas condições são necessárias para o sucesso desta prática:
1) Implantação da técnica em um período do ano com alta radiação solar, de forma que o solo alcance a temperatura adequada para que os patógenos sejam eliminados
2) O solo deve estar úmido, o que torna as estruturas de resistência mais sensíveis e também potencializa a condutividade térmica do solo, ou seja, a água auxilia com que temperaturas necessárias para eliminar os patógenos seja alcançada a uma maior profundidade no solo.
Outros exemplos de controle físico foram citados como a radiação, a termoterapia, a refrigeração e a esterilização do solo. Este última alcança temperaturas elevadas (cerca de 88 C), o que leva não apenas à mortalidade de microrganismos patogênicos mas também dos benéficos. Este é o chamado VÁCUO BIOLÓGICO! Já a solarização atinge cerca de 55 C, o que é letal apenas aos patogênicos. VEJA OS BENEFÍCIOS DA SOLARIZAÇÃO EVIDENCIADOS EM AULA, OK?
Boa semana a vcs!



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